terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

(Más)cara do novo

O real do envelhecer, tem me fustigado  nesses últimos tempos. Por mais que me utilize de máscaras que possam atenuá-lo, este insiste em me provocar , descortinando as ilusões de uma tentativa de  encobrir marcas aí  contidas. É um novo que vislumbro  nas faces de meus  pais, quando neles  me percebo.

Não basta cobrir os cabelos grisalhos com tintas acobreadas..., besuntar rostos, braços e pernas com  cremes que prometem rejuvenescer,  incorporar a atividade física como complemento do café da manhã,  o envelhecer tens leis próprias, limites bem  definidos que por mais que se negue, se impõe e  realiza sua intervenção em nosso corpo, em nossa imagem  no que  equivocadamente é  percebido só no Outro.

Outro dia, uma pessoa amiga, relatou-me o desapontamento por descobrir, junto aos seus pares, que já não tem a mesma facilidade de  acessar de memória,  informações profissionais guardadas,  com a mesma precisão de detalhes,  que o fazia  detentor de um certo  poder em sua equipe de trabalho, "...Ando cansado, com o rasciocínio mais lento, minha cabeça já não me acompanha, o escritório a mil e eu assim!!...."

Comparece através da resistência declarada, de um não saber,  do como  lidar com o "ócio" de uma pretensa aposentadoria, considerando, ainda ter  um corpo prioritariamente adestrado para o trabalho e adormecido para outras possibilidades. "  O que vou fazer de minha  vida! Eu sempre trabalhei...."

"Falar da velhice incomoda porque expõe o limite ao qual todos nós somos submetidos. Falar da velhice desacomoda, exigindo certa acomodação dos traços e dos restos advindos pelas perdas, pelas mudanças da imagem e na relação com o Outro. A velhice exige novas transcrições e traduções. Ela desacomoda muitos "restos" deixados em qualquer canto à espera de um tratamento possível; desacomoda a procrastinação, desacomoda os futuros não cumprindos - mas que gostaríamos de realizar -, desacomoda a idéia de imutabilidade ou de permanência, desacomoda os ideais e as certezas nas quais todo sujeito busca se alojar. A velhice desacomoda, incomoda, principalmente nesse mundo permeado de máscara do novo." MusidaÂngela - "O Sugeito não envelhece - Psicanálise e velhice". (2006, p.16)

Assim o é!...
Envelhecer  para quem se aventura, é vida!
Desafiante aventura com um  fim estabelecido!
Aventuro-me! Vivo.




segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

(Re)Vigor "pela lente do amor"

"Pela lente do amor
Uma grande angular
Vejo o lado acima e atras... o muito mais do aparente de um  leve encontro para  celebrar a vida.
O muito mais, que de mansinho, vai se dando na chegada de mais um, que não vem só, vem com o seu todo  mesmo que ali não materializado.

Abrir o ângulo, fechar o foco
Sobre a vida..., na alegria ruidosa do estarmos juntos, dos abraços compartilhados, dos ruídos exaltados nas surpresas do que somos, dos procriados, dos construídos e do que sonhamos.

Transcender pela lente do amor
Sair do cético, entrar no beco sem saída..., das emoções, das revelações dos talentos ainda não apresentados, das danças não ensaiadas, dos resgates dos registros lúdicos em nossos corpos, constituídos lá na infância!...,  atualizados e rematrizados. Boas sensações!...

Sou capaz de entender
Os detalhes da alma de alguém
Pela lente do amor...,  a prosa correu solta nos grupos espalhados à sombra de um gigante guarda-sol, caprichosamente alí colocado como espaço de convivência, num dia de domingo ensolarado.
Muito se falou!..., do que escutei, comoveu-me a fala de meu tio, irmão de meu pai, validando-nos enquanto família que possui alicerces, afirmativa essa, que me fez imaginarizar o visgo aí contido, introjetado em todos nós! Correndo em nossas veias. 
Bem dito seja! Bem dito! 

Pela lente do amor
Vejo a flor me dizer ..., que em seu aniversário, Humberto,  presenteou a cada um de nós de forma singular.

Pois..., ainda posso enxergar mais além.
Pela lente do amor

Niver de Tio Humberto por Caroline Lima




 





sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"Eu vou logo ali e já volto!..."


" Vou logo ali e já volto!..."
Assim gritava já de porta fora,  o meu filho,
Quando queria escapar do controle de meu olhar, numa rapidez, quase que incontida, dos que querem conhecer o mundo e firmar sua autonomia.

"Eu não disse que já volto!!!...", já com um toque de irritação na voz.
Frente a um querer saber mais de mãe, diante  da "esticada no elártico", imprimida pelo meu jovem, que alongava o seu olhar para além de nosso riscado.

" Mãe, já  tô indo!...volto logo, talvez...!?"
Comunica   com o brilho intenso no  olhar,
Com tom  de   voz, cuja sonoridade diz de uma  maturidade, dos que  permitem  o direito à dúvida,  frente à significativas aberturas...

Denota estar pronto prá se lançar de corpo e alma, para um novo.
Caminha com  passos  firmes de quem quer caminhar por caminhos ainda não conhecidos,
Tendo como norte, a certeza de querer chegar bem em algum lugar.

Mais uma vez, fico a observar!..., com olhos de querer ver!
Com olhos de querer me ver!
Nesse momento em que  mais uma vez, ele  diz sim para a vida.

Vá! Digo-lhe com ternura!
Atenda a esse chamado que a vida te faz, que para isso de há muito estás a ensaiar.
Vá!..., assim é que é!...
Agora é  você!...
Agora é com você!...



Obs: No tempo presente meu filho, Thiago Balbino se encontra na alemanha.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

(Des)Carrego!...

(Des)carrego em ti  o que em  mim é resto e inacabado!
Quero  de ti o que abunda, o que transborda!
Mar! Misterioso mar!...
É nos seus movimentos de ir e vir, que busco a manha necessária para fluir!....

"Mar!  Misterioso mar!...",  lancei-me em ti nestes primeiros dias de 2012, com a consciência da importância desse arquétipo estruturante de minha história, assimilado na casa de meus pais.
Entegro-me nesta  grata repetição!

De esvaziar-me, que traduzo como renovação das energias necessárias para manter os pés no chão.
De purificar-me na salmoura de suas águas frias,  revigorando  o corpo,  amolecidamente!....,   à espera de novos registros.

"Mar!  Misterioso mar !..."
Que vai e que  vem !..., é neste fluxo que  vou...
Reverenciando a ti
Crendo em mim, crendo em nós!...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Encontros (de)marcados


"...Trama lapidar
O que o coração
Com toda inspiração
Achou de nomear
Gritando alma
 ...,...                                                                   

Dentre os muitos encontros (de) marcados que vige em minha vida, hoje quero destacar, o que  recebi  como suporte,  a partir do momento de uma grande perda.
Esta linda  senhorinha que neste primeiro domingo de Dezembro, completou 80(oitenta) anos de vida, cheia de graça.
Dona Bárbara, é minha segunda mãe, "Barbinha" para os íntimos, avó paterna de meu filho, que de forma sábia, discreta e muito comprometida,   estabeleceu comigo  uma espécie de  guarda compartilhada na  criação do Thiago,  contribuindo assim  para que eu tivesse o gás necessário, para cumprir os muitos papéis que escolhi e que também me foram impingidos.

 Salve! Salve! Dona Bárbara!
...,...Vida
Todo afeto que há no meu ser
Te quero ver
Te quero ser
Alma
Te quero ser
Alma" - Anima - José Renato e Milton Nascimento
                                                               
         

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Novas Paragens

Vagando em verso eu vim
Vestido de cetim

Na mão direita rosas vou levar... (Andança-  Dorival Caymmi)


Aqui! Acolá!... eu vouuu!
Pois a "dança da moda eu sei...

Tenho estado nestes últimos tempos de minha existência, impulsionada por este desejo de me perceber em novas paragens, como condição de experiênciar o que sou a partir de um novo idealizado? Porém ainda não vivenciado.

 
Quero com isso expandir o meu quadrado, compreendendo a maleabilidade de suas paredes  para  formatar novos espaços de circulação, de encontros, de trocas, de vivências desse meu viver!
Vim de longe léguas cantando eu vim... e com isso cartografado, a partir de muitas observações reflexivas de meu modo de lidar com as minhas questões, então  estabeleci, que após a garantia de uma "pseudo" aposentadoria, sairia a campo para constituir esse novo traçado.
Não satisfeita, me acerquei de garantias para então me sentir em condição.
Neste tempo de preparação, que ora se institui, equivalente a um tempo cronológico de gestação de uma gravidez de mulher!!... tenho pressentido, que é chegado a hora.

O momento de  parir,  é o de agora.

Emocionada que estou, me pego desenvolvendo alguns movimentos, que suponho, necessários para esta parto:

O de decidir,  que quero um nova relação de trabalho, sim! Que me permita continuar estudando, me disponibilizando e testemunhando no papel de psicoterapeuta.

Ir ao encontro da metrópole que povoa os meus sonhos desde menina, a cidade do Rio de Janeiro, há muito acalentada como uma das muitas  paragens desse meu caminhar, preferencialmente, em companhia de meu atual amor.

Tudo muito simples e possível!

Pois, pois!!
Já me fiz a guerra por não saber
Que essa terra encerra meu bem querer
Que jamais termina meu caminhar
Só o amor me ensina onde vou chegar
Por onde for

Quero ser seu par .

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"Velhice implicada pelo desejo"

Helena Bertho, um exemplo de "velhice implicada pelo desejo".


Assim quero dizer dessa senhorinha, que diante do real do envelhecimento do corpo, propunha novas formas de reinscrever o seu desejo, enquanto ser pulsante neste mundo de meu Deus.

Conheci Helena Bertho, quando profissional em Serviço Social na Cia Vale do Rio Doce, através de um programa de preparação para aposentadoria.

Aposentada que era  do antigo INSS, desenvolvera uma   referencial teórico e metodológico, na qual sustentava com muita auteridade, que era possível haver vida desejante,  pós aposentadoria e envelhecimento.

Com esta crença, destacava a importância do recriar a vida, através da  elaboração  do luto das perdas dos objetos relacionados ao mundo do trabalho, através de outros objetos substitutos, tão interessantes quanto os anteriores.

Apregoava com  relevância  o cultivar: afetos, encontros,  aprendizados, descobertas, transcedências como formar de manter e conquistar vínculos relacionais.

O sonhar,  considerando que este, "os sonhos,  não envelhecem".

Valorizava o cuidar-se, cuidando-se, a sua  presença era imponente, elegante e simples a desfilar os efeitos que o tempo lhes impunha,  com  certa dignidade, ditando estilo para tudo aquilo que defendia em tese.

Mulher de refinada liderança, não escondia o prazer da conquista de novos seguidores para as suas crenças, privilegiava o diálogo com as várias especialidades, criando e fortalecendo uma rede relacional por todo este país. Ela sabia se fazer presente.

No primeiro dia do mês de Novembro, porém,  Helena Bertho se foi, faleceu, segundo relatos de amigos mais próximos, foi de um passagem tranquila, que se deu em sua própria residência, encontrava-se debilitada em seu estado de saúde.

Helena Bertho, digo que a sua existência  foi de muita doação, puro ensinamento do como fazer.

No lidar, com o real das perdas advindas de uma aposentadoria e subsequente envelhecimento, no  trabalho necessário de elaboração de um luto por estas perdas e as exigências de se buscar constituir referênciais, que  permitam simbolizar esse real.

Salve Helena Bertho!