sexta-feira, 29 de março de 2013

Por minha mãe.

Reverencio,  nesse momento de aprovação da PEC dos Trabalhadores Domésticos,  a Sra Cleuza de Oliveira - Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos, pois me remete às  lembranças de minha infância, quando então  minha mãe cuidadosa de suas crias mulheres, ops! sete e não seis  ao todo, sutilmente desconversava qualquer possibilidade de "ajuda" das famílias mais abastadas, com as quais trabalhava  prestando serviços de lavadeira, para que permanecêssemos em suas residências, como "companhias de suas filhas" em troca de roupas, materiais escolares, alimentos...
Minha mãe, Dona Erly, conheceu as conseguências desse tipo de proposta, pois fora assim que ela viera da casa de seus pais  lá na  roça para a cidade,  por aqui ficou como doméstica sem que conseguisse o seu intento, estudar.
Salve! Salve!...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Vesti a minha fantasia e sai por aí!...


E não é que fui parar no Rio de Janeiro!...

Sim,  fui passar o carnaval no Rio de Janeiro, foi tudo tão mágico que já estou me planejando para o próximo ano,  na Sapucaí quero estar pois: 

"A minha alegria atravessou o mar e ancorou na passarela,
Fez um desembarque fascinante, no maior show da terra"!...

Em consórcio com a Marli Brígida e uma sua amiga Marizelma, alugamos um apartamento, ops!!! Um apertamento em Copacabana. Lá fixamos residência por cinco dias, permitindo-nos estar no metro quadrado mais badalado do Brasil, participando ativamente dos desfiles da "Banda do Bolivar", que no sol da tarde de 17:00 entoava as marchinhas de carnavais passados, hoje tidas pelos adeptos do "politicamente correto" como censuráveis,  "Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é...", e por aí foi...

No sábado, animadíssimas que estávamos, fomos ao desfile do "Bloco O Cordão do Bola Preta", contribuir para a quebra do récorde do bloco com maior número de participantes.
Prá quê Senhor, tanta saliência!...

Após descermos na estação do metrô Cantagalo, tentamos adrentar a Avenida Rio Branco, hum!
Em vinte minutos estávamos de volta de onde não deveríamos ter saido.
Era tanta gente suada e espremida por metro quadrado, que o meu isntinto de sobrevivência falou mais alto, convocando-me a rasgar a fantasia, cair na real de que estar ali naquele momento, não me remeteria a lugar algum,  as lembranças das imagens de infância, quando ouvia  Dona Lina narrar  histórias encantadoras  de carnavais nesse bendito bloco, definitivamente  não cabia, ou seja não me cabia!

Retornar ao  frenesi do calçadão de Copacabana das pessoas em seu ir e vir, de  vários  matizes raciais e condições sociais, trabalhando, ou brincando, dispostos a jogar um pouco de conversa fora, ou não  com muita  certeza,  contribuiram bem mais   para que  eu então  vivesse essa possibilidade. 









Marcas que são difíceis de serem removidas


Era um encontro de celebração do aniversário da matriarca de uma grande família tipicamente brasileira e negra, ali estavam presente , filhas(o), netos(as), bisnetos(as), genro, nora, agregados,  amigas(os) e como de costume,  as palavras davam  o tom nas muitas conversas que se davam em vários grupos ao mesmo tempo e esta corria solta, verbalizadas ora em boca pequena, ora aos berros em esclamações de surpresas risos e gargalhadas!!!...

Num dado momento em que decidiram realizar os devidos registros fotográficos do evento, o sofá da sala era o espaço possível para juntar tantas possibilidades de arrumações parentais, nesse jogo, agora é a vez, dos homens da família! Das mulheres! Eu e mamãe somente! Mamãe com os netos! Mamãe com os bisnetos ainda criança, eis que alguns netos,  jovens,  resgataram no dizer dos mesmos, uma brincadeira comum na casa de vó.  Eleger para fins de pilhagem um dos netos ou netas, geralmente os de menos idade, associando este a um personagem negro caricato, exibido de forma depreciativa pela mídia.

Mal estar instalado pela não aceitação por parte de uns outros da atualização de um jogo discriminatório, num curto espaço de tempo o silêncio se fez presente,  tinha um quê de incômodo, não verbalizado, pois o encontro com o real de um olhar de discriminação racial,  internalizado pelos próprios membros daquela família, roubou qualquer possibilidade de espontaneidade daquele momento em diante, o corte foi fundo na  carne. 

É possivel  que  ali naquele momento, tenham feito contato com suas marcas difíceis de serem removidas, por terem sido imprimidas nas relações primeiras de cada um na própria família, junto aos seus pais, que por sua vez  certamente assim também tenham sido marcados, repetindo sem que tenham consciência um olhar de menos valia.

Lidar  com essas marcas que são difíceis de serem removidas não é simples, pois não há cura para as mesmas uma vez  já instaladas lá na primeira infância, não tem retorno. O que nos é  possível é aprender melhor lidar com esse real,  cuidando-nos constantemente, para melhor  posicionar-nos quando das possíveis repetições, através da aquisição  de "bons curativos" que quando bem feitos  aqui e acular, tem efeitos de  nos fortalecer. É isso. 



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Os 80 anos de minha Mãe.


"..., ....E quem há de negar que esta lhe é superior?" - Caetano Veloso

Me valho da poética contida nesta  frase de uma das músicas de Caetano Veloso, - "Lingua",  para  dizer do como  vejo diante  de Dona Maria  Erly, minha mãe,  que nesse final de semana completou 80 anos, celebrados conforme os seus designos. Em um primeiro momento junto aos filhos, netos, bisnetos,  em seguida  com os novos amigos do Instituto de Hemodiálise. Segundo seu próprio relato,  espaço  de encontros e  novas resignificaçõe para o seu existir.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012


Thiago Balbino - Não Exposição no MAES/Dezembro de 2012
 Desejantes que somos, que tal vislumbrar um 2013 de muitas possibilidades?!...

sábado, 8 de dezembro de 2012

Marco referencial de bons encontros.

Recentemente, estive com  uma amiga que a mais ou menos uns 20 e alguns anos, não nos  viámos.  Tudo começou  depois  que encontrei com uma de suas irmãs, numa agência bancária onde esta era a gerente responsável pela conta do condomínio do meu prédio, em que eu estava síndica. De um número de  telefone em Campinas/SP,  foi um passo para  descobrir o seu email e depois o seu endereço no face e aí papo vem papo vai!...uma mensagem aqui, uma curtida ali compartilhamentos afins, resgatamos  e atualizamos uma amizade dos idos de faculdade, bom tempos aqueles!!... pois hoje, constato com muita satisfação, que  esse período  se constitui em minha vida  de um marco referencial de bons encontros, que se transformaram em sólidas amizades e  que perduram até os dias de hoje.

E no sábado passado, atendendo ao meu convite para um café da tarde, eis que ela chega em minha casa, despojada de adereços, com um sorriso franco e aberto estampado no rosto, tal como na última vez a que estivéramos juntas,  num primeiro momento não paramos de tagarelar  no afã de quem tudo precisa falar e aos poucos  fomos  nos contendo, a prosa foi tomando rumo mais intimista e aí ficamos bem mais a vontade para deixar comparecer as nossas questões singulares, que rogavam por um espaço privilegiado de  fala,  e  assim se deu.

 E o  tempo foi pequeno,  para que  revisitássemos tantas  lembranças nesta  perspectiva que nos propunhámos, falar do lugar de mulheres já  vividas,  que se permitem resgatar  no  diálogo, imagens do ontem com o devido aparato do já refletido. Quando esta lembrou que é hora de partir, pois viajaria logo cedo na manhã do outro dia,  para a sua cidade de moradia e trabalho, uma pausa se estabeleceu em respeito ao tempo cronológico  que assim exigia, felizes nos despedimos, com promessas de novos encontros sem a lógica do  compromisso  de  datas agendadas.










domingo, 28 de outubro de 2012


E porque o amor invadiu o meu coração!...
Sinto-me revigorar para transformar  a partir das pequenas ações, o meu cotidiano.
Sinto-me com coragem para ousar, mais uma vez,  naquilo que até então de certa forma procrastinava,  por não tê-lo enquanto referência.
Sinto-me inteira com continência, mesmo que  as palavras faltem, pra que eu possa melhor simbolizar isso que vivo.
Poetizando, constato que  me encontro assim!
Me entrego somente, inscrevendo-me por enquanto na ordem do usufruir!..
E sigo assim!...