terça-feira, 4 de junho de 2013

As Sete Mulheres e Um Homem da Casa de Meus Pais.


Venho de uma família de sete mulheres e um homem, na qual ouvi de meus pais a justificativa em tom de "brincadeiras" que assim se deu pela insistente tentativa de ter um filho homem, que por sinal é o caçula,  depositário de muitas expectativas,  muitas vezes  difíceis de administrá-las, segundo a fala do mesmo.

O que me leva resgatar esse real e estar aqui falando dele,  é o fato de que volte e meia eu me equivoco com esta contagem, excluo um da lista. O que me faz  sentir culpa pelo ato,  na medida que sei que nada é por acaso, não é assim?!

Fico pensativa  de tamanho erro de cálculo numa operação que deveria ser bem simples, dizer do número de irmãos que tenho. Por conta  dessa repetição indesejável, resgatei uma forma de controle  mas que mesmo assim, volte e meia  ainda escapole. É lá do meu tempo de iniciação matemático,  contar nos dedos das mãos quantos são antes de dizer do resultado!...

Então, foi o que fiz nessa terça-feira de  manhã chuvosa e de temperatura amena, voltei no texto aqui publicado sobre os cuidados de minha mãe em relação as suas filhas mulheres, postado em 23/03/13 e me permiti,  refazer os ajutes após os devidos cálculos do número exato que somos de mulheres na família, nomeando-as uma-a-uma a partir do auxílio de meus dedos. Agora assim em paz com o resultado obtido,  consegui  que todas  se fizessem presentes, acrescidas  no aqui e agora também da de meu irmão.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Outono em minha alma


É esse o visual que ora a natureza tem me brindado todas manhãs, quando  deito de barriga prá cima para dar continuidade às atividades físicas, que  faço todos os dias em busca de uma melhor reorganização de meu corpo.
É outono e a brisa agradável a  beira do mar da praia de Camburi, me traz a certeza de que em breve experimentaremos, temperaturas mais suaves e até mais frias. 
Percebo que esta mudança se processa em minha alma também, é uma névoa que se apresenta de braços dados com uma aragem  fresca pela manhã, me pondo mais introspectiva, que vai se dissipando aos poucos a partir dos encontros calorosos do dia-a-dia, podendo retornar com um pouco mais de intensidade ao entardecer






quinta-feira, 11 de abril de 2013

Salve Maurília Queiroga!!!...




Nesse início de Abril/13, perdi  uma amiga de muitas lutas e construções políticas do modo de ser e estar, mulher negra nesse país.

Faleceu Maurília Queiroga, mulher altiva, de personalidade  forte, filha da Dona Cicidinha lá das Gerais!!!

Mulher de seu tempo, inquieta e revolucionária, que  deixa um legado de muito trabalho na luta pela valorização das diferenças e  inclusivas  do masculino, nas questões de trato da saúde das mulheres e dos homens, enquanto políticas públicas.
                                                                               
                                                                                          Salve! Salve amiga!!!...

sexta-feira, 29 de março de 2013

Por minha mãe.

Reverencio,  nesse momento de aprovação da PEC dos Trabalhadores Domésticos,  a Sra Cleuza de Oliveira - Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos, pois me remete às  lembranças de minha infância, quando então  minha mãe cuidadosa de suas crias mulheres, ops! sete e não seis  ao todo, sutilmente desconversava qualquer possibilidade de "ajuda" das famílias mais abastadas, com as quais trabalhava  prestando serviços de lavadeira, para que permanecêssemos em suas residências, como "companhias de suas filhas" em troca de roupas, materiais escolares, alimentos...
Minha mãe, Dona Erly, conheceu as conseguências desse tipo de proposta, pois fora assim que ela viera da casa de seus pais  lá na  roça para a cidade,  por aqui ficou como doméstica sem que conseguisse o seu intento, estudar.
Salve! Salve!...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Vesti a minha fantasia e sai por aí!...


E não é que fui parar no Rio de Janeiro!...

Sim,  fui passar o carnaval no Rio de Janeiro, foi tudo tão mágico que já estou me planejando para o próximo ano,  na Sapucaí quero estar pois: 

"A minha alegria atravessou o mar e ancorou na passarela,
Fez um desembarque fascinante, no maior show da terra"!...

Em consórcio com a Marli Brígida e uma sua amiga Marizelma, alugamos um apartamento, ops!!! Um apertamento em Copacabana. Lá fixamos residência por cinco dias, permitindo-nos estar no metro quadrado mais badalado do Brasil, participando ativamente dos desfiles da "Banda do Bolivar", que no sol da tarde de 17:00 entoava as marchinhas de carnavais passados, hoje tidas pelos adeptos do "politicamente correto" como censuráveis,  "Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é...", e por aí foi...

No sábado, animadíssimas que estávamos, fomos ao desfile do "Bloco O Cordão do Bola Preta", contribuir para a quebra do récorde do bloco com maior número de participantes.
Prá quê Senhor, tanta saliência!...

Após descermos na estação do metrô Cantagalo, tentamos adrentar a Avenida Rio Branco, hum!
Em vinte minutos estávamos de volta de onde não deveríamos ter saido.
Era tanta gente suada e espremida por metro quadrado, que o meu isntinto de sobrevivência falou mais alto, convocando-me a rasgar a fantasia, cair na real de que estar ali naquele momento, não me remeteria a lugar algum,  as lembranças das imagens de infância, quando ouvia  Dona Lina narrar  histórias encantadoras  de carnavais nesse bendito bloco, definitivamente  não cabia, ou seja não me cabia!

Retornar ao  frenesi do calçadão de Copacabana das pessoas em seu ir e vir, de  vários  matizes raciais e condições sociais, trabalhando, ou brincando, dispostos a jogar um pouco de conversa fora, ou não  com muita  certeza,  contribuiram bem mais   para que  eu então  vivesse essa possibilidade. 









Marcas que são difíceis de serem removidas


Era um encontro de celebração do aniversário da matriarca de uma grande família tipicamente brasileira e negra, ali estavam presente , filhas(o), netos(as), bisnetos(as), genro, nora, agregados,  amigas(os) e como de costume,  as palavras davam  o tom nas muitas conversas que se davam em vários grupos ao mesmo tempo e esta corria solta, verbalizadas ora em boca pequena, ora aos berros em esclamações de surpresas risos e gargalhadas!!!...

Num dado momento em que decidiram realizar os devidos registros fotográficos do evento, o sofá da sala era o espaço possível para juntar tantas possibilidades de arrumações parentais, nesse jogo, agora é a vez, dos homens da família! Das mulheres! Eu e mamãe somente! Mamãe com os netos! Mamãe com os bisnetos ainda criança, eis que alguns netos,  jovens,  resgataram no dizer dos mesmos, uma brincadeira comum na casa de vó.  Eleger para fins de pilhagem um dos netos ou netas, geralmente os de menos idade, associando este a um personagem negro caricato, exibido de forma depreciativa pela mídia.

Mal estar instalado pela não aceitação por parte de uns outros da atualização de um jogo discriminatório, num curto espaço de tempo o silêncio se fez presente,  tinha um quê de incômodo, não verbalizado, pois o encontro com o real de um olhar de discriminação racial,  internalizado pelos próprios membros daquela família, roubou qualquer possibilidade de espontaneidade daquele momento em diante, o corte foi fundo na  carne. 

É possivel  que  ali naquele momento, tenham feito contato com suas marcas difíceis de serem removidas, por terem sido imprimidas nas relações primeiras de cada um na própria família, junto aos seus pais, que por sua vez  certamente assim também tenham sido marcados, repetindo sem que tenham consciência um olhar de menos valia.

Lidar  com essas marcas que são difíceis de serem removidas não é simples, pois não há cura para as mesmas uma vez  já instaladas lá na primeira infância, não tem retorno. O que nos é  possível é aprender melhor lidar com esse real,  cuidando-nos constantemente, para melhor  posicionar-nos quando das possíveis repetições, através da aquisição  de "bons curativos" que quando bem feitos  aqui e acular, tem efeitos de  nos fortalecer. É isso. 



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Os 80 anos de minha Mãe.


"..., ....E quem há de negar que esta lhe é superior?" - Caetano Veloso

Me valho da poética contida nesta  frase de uma das músicas de Caetano Veloso, - "Lingua",  para  dizer do como  vejo diante  de Dona Maria  Erly, minha mãe,  que nesse final de semana completou 80 anos, celebrados conforme os seus designos. Em um primeiro momento junto aos filhos, netos, bisnetos,  em seguida  com os novos amigos do Instituto de Hemodiálise. Segundo seu próprio relato,  espaço  de encontros e  novas resignificaçõe para o seu existir.